quarta-feira, 27 de junho de 2012

Amado

Estou com saudades de ser o mais amado.
Mas hoje, somente, tudo dá errado.
Tenho vontade de sacudir tua opção.
Quero que veja, o quanto te amo então.

Odeio fazer, versos com rima,
mas o que escrevo vem tudo lá de cima,
meu coração, não tem mais espaço,
escrevo com a cabeça e pensando em nossos laços.

Amor me odeie, se tiver disposta,
quero que aprenda que não há resposta,
para um amor sacrificado por bandidos.
Você me ama até sem ter motivo.

Se tua coragem fosse o menestrel,
comigo estaria, junto aqui no céu.
Venha que eu estou de camisa abotoada,
meu coração só rolando a escada.
Me socorre sempre minha querida,
venha ser o amor da minha vida.

Amor me odeie, se tiver disposta,
quero que aprenda que não há resposta,
pro amor.



 Rafael Cunha

terça-feira, 26 de junho de 2012

Manhã

Não sabes a sorte que tens.
Acordá-la preguiçosa durante todas as manhãs,
dar-lhe um beijo discreto e receber um bom dia apaixonante.
Deixar que ela durma seus cinco minutos merecidos enquanto preparas o pão e o leite, quente.

Sorte a tua, desconhecido.
Que brinca com a barriga da mais bela, fingindo ali ter uma filha, Olívia.
Ela ri, enquanto eu, caio a chorar, por não ser eu, o ser desta felicidade.
Acordá-la pela segunda vez com as xícaras em mãos,
durante seu preparo matinal de beleza,
cabelos molhados,
jalecos engomados,
tens a sorte de tê-la bela.
Saboreia todo o leite que preparas. Sacia-se.

És uma pessoa de sorte.
Despedir-se com suas calças mais brochantes,
ainda assim fazer com que ela pense em você durante todo o dia.


Rafael Cunha

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Desastre


Os desafetos e os romances se acabaram em uma discussão rebaixada.
Acabou-se qualquer chance de volta ou pensamentos em um sonho.
Melancolia paira no frio de hoje.
O teto também é o meu amigo,
o nada, meu companheiro.
Fico triste em tudo se acabar.
Mas talvez tenha sido o melhor que fizemos.
Talvez não tenha sido o melhor.
Talvez.

Desde ontem seguirei.
Vou sentir saudades.
De você.
Preta.



Rafael Cunha

sábado, 23 de junho de 2012

Madrugada

Antes, quando juntos, éramos anjos.
Agora, quando juntos, somos monstros.

Ontem éramos amáveis,
fluíamos como a dança do sereno.
Hoje somos a tempestade de ofenças e tristezas.

Isso é a falta de respeito encarnada em uma traição.
A quebra de um vaso de amor jamais em conserto.
Cascos espalhados no chão com destino ao ralo dos nossos corações.


Rafael Cunha

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Visita

Hoje é um dia de garoa.
Hoje é um dia de visita.
Esteve sob meus olhos o sorriso de covas,
o quadrado de um rosto desenhado,
com idéias perfeitas, não caberia em uma moldura.
Por isso quem me visitou foi uma rainha e não uma princesa.

Por conta das suas lendas e suas vontades,
era uma mulher de verdade,
disfarçada sob seus óculos e lenços brancos de bolas que me encantaram.

Porém para cada rainha existe um rei,
e nesta história eu quem sou o plebeu.
Aquele que um dia sequer a tocará de um jeito qualquer.



Rafael Cunha

Nadar

Adolescente eu me apaixonava por ela,
nas aulas nadávamos lado a lado,
e a cada respiração a via com meus óculos embassados.
Linda.

No descanso ela falava. Gosto de quando fala.
mesmo quando somente, hoje, responde.
Você preenche meus cantos vazios,
e me toma por inteiro como uma piscina de encharque.

Seus encantos superam minhas memórias,
eles cantam aos meus ouvidos
a doçura de um amor não compreendido.

Seu retorno é o meu trampolim,
é a piscina aquecida para o meu descanso.
A vontade de tê-la ao meu lado é o fôlego
que preciso para esperá-la até uma próxima estação.


Rafael Cunha



Peixe

Se eu fosse um peixe nadaria até a espia,
pernadava até a boca, chegar a casa e ao ensacador nele esperar.

Se eu fosse um peixe isso eu faria,
para um caiçara entre as três visitas me encontrar.
Me retirar sem fôlego,
escurecer minha visão,
para ele minha vida doar.

Encher suas canoas de outros eus,
ele sujar-se com minhas escamas,
navegar nos mares ao norte do seu sudeste em paz.

Voltar para casa feliz,
aportar seu flutuante nas lindas e esperadas marinas,
para com meu cheiro uma boa noite a sua filha lhe dar.


Rafael Cunha


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Oz

Minhas tentavivas são inúmeras.
São palavras, são pensamentos para tentar uma sintonia.
E de nada funciona.

Pensei que fosse a força do querer eterno atingindo o limiar da frustração.
Mas tem dias que quero menos, assim mesmo sem respostas.
Me deixa triste o silêncio, as poucas palavras, desmotiva.
Penso hoje que este é o objetivo, não haver motivo para mais amor.

Fico triste em deixar que tudo passe como uma tempestade de Oz.
A cada dia preciso disfarçar minha covardia como um leão.
Penso sem foco como um espantalho sem cérebro.
Sou um Homem de Lata a procura todos os dias o meu coração perdido em uma terra de fantasia.



Rafael Cunha

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rodoviária

Estou de partida.
Indo para longe do nosso canto de amor,
passagem na mão para nunca mais voltar,
onde um dia o melhor abraço recebi, na chegada em uma rodoviária.

Vendi o fusquinha querido por nada,
doei todos meu móveis, inclusive a cama em que nos amávamos,
Nosso apartamento vazio devolvido,
dei todas minhas coisas para talvez um recomeço sem lembranças.

Era tudo que eu queria,
não voltar mais onde um dia fui feliz.
Porém da minha felicidade sobrou uma muda,
para o recomeço em outra cidade que tanto amo.


Rafael Cunha (na rodoviária de Botucatu-SP destino São Paulo-SP)


domingo, 17 de junho de 2012

Jantar

Abraçado por um boa noite da mulher dos mais belos olhos já vistos, dormi.
Antes acordado  preparei o salgado das nossas conversas,
saciados da fome, envinados,
no deliciamos com a sobremesa de um sonho.

Camuflado, a ouvia criticar todos os filmes revistos.
Que bela mulher,
seus olhos me encantavam,
neles se via a alma de uma mulher feliz.

Continuada a saborear uvas fermentadas,
demoramos a nos cansar madrugada a dentro.
A cobri com o manto vermelho,
me despedi com um abraço tímido.

E o que sobrou do jantar,
foram os beijos de uma boca rocheada,
e o cheiro de um nariz perfeito.


Rafael Cunha

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Carta Resposta

Desculpe um dia não lhe mostrar o quanto te amo,
Perdoe-me em ter que me casar, não com você, meu amor.
Lamento não poder ser acordada todas as manhãs com um beijo seu.
Me orgulho de um dia ter sido feliz com você em noites e tardes serenas.
Hoje me revolta não ter conseguido ter assumido você.

Queria, você, o homem que brinca com minha filha,
vê-lo pela janela da cozinha saborear o barro no jardim com nossa pequena amada.
Ensiná-la nadar, a correr, acarinhar o rosto da mamãe antes de dormir.

Assumo que fui fraca em não corresponder seu amor,
bato no peito e digo quem foi a culpada por isso, eu triste.
Hoje é o dia do meu casamento, queria que você meu noivo fosse.
Beijar seus lábios carnudos depois de um sim.
Trazer seu cheiro pra minha alma. Aceitá-lo como és.

Rafa queria viver outra vida desta só pra te amar juntos,
te amei separados por causa de uma família, sacrificada.
Ao longe quando formos desencarnados,
me receba de braços abertos,
se eu lá estiver te receberei com meus braços abertos.

Eu te amo, e não posso ficar com você.
Mesmo a tristeza que me consome em não tê-lo por perto.
Peço para minhas borboletas tapadas levá-las ao vento.
Te amarei por mais mil vidas se assim for.


Rafael Cunha

Saudade

Saudade é quando não se deixa erguer,
é quando sufocado por um travesseiro não se deixa respirar.
Isso é a saudade.

Te faz deitar para não querer levantar,
te faz engolir invés de mastigar,
desatina a angústia em uma carta sequer que nunca chegará.

Saudade é esperar um retorno que nunca virá,
é se desconvidar de um futuro que está a te esperar.
Por isso é saudade.

Não há volta,
sem um toque,
nem um olhar.
Saudade o mata sem existir em carne,
ela quem rasga seu coração,
sem jamais se entregar ao outro que não o ama.


Rafael Cunha


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Querer

Dizem para não amá-la, mas te amo porque te quero.
Amo para sofrer a dor na sua partida.
E dizem para não amá-la.

Ainda mais quando partes sem motivos.
Amo mais por não entender os conflitos.
Desejo seus cabelos lavar,
desejo seus cabelos secar,
desejo você se deitar.

Festejo com sofrimento sua partida,
para pensar em cada momento
em que não vivemos juntos com amor
de um primeiro a saborear.


Rafael Cunha



quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cometa

Queria ser um cometa,
que risca os céus dos mil planetas de amores,
carinha sincero as estrelas por onde passa.

Mil olhos infinitos irão me ver,
sem me tocar, sem a maciez de uma pele qualquer,
seus olhos fixar, eu apaixonado surgir.

Debaixo da palmeira, a brisa com cheiro de vida eterniza no seu abraço.
E eu, cometa, irei apenas passar para um segundo dia, talvez, voltar.


Rafael Cunha

domingo, 3 de junho de 2012

São Paulo

São Paulo se não fosse um santo seria uma cidade,
mesmo sendo cidade e não um santo de nada feliz seria.
São Paulo não namoraria suas morenas de ternos,
ou as pretas de jaleco,
seria triste em poder jamais tocá-las em um sereno,
em saborear seus lábios pequenos, as amarguras de apenas ver passar as pernas de Danielas suas, em uma rua qualquer das suas veias, nunca deliciá-las mesmo que em um tropeço na queda de seus joelhos brancos.
A preta de jaleco, morena, pernas brancas e tão apaixonante que a cidade mesmo como um santo não resiste aos encantos de Daniela.


Rafael Cunha