domingo, 31 de maio de 2009

Sustentável

Ela é a coroa das rainhas e reis.
Outras mulheres produzem o mel para que ela tenha tamanha beleza.

Os ursos se lambuzam com seu doce e cospem os favos derretidos.
Se fazem dóceis e sinceros, para largá-la sem sua ternura.

Ela se renova.
Cai em quedas d'água, voa por entre as montanhas e mergulha em lavas vulcânicas.
Assiste aos ursos serem caçados.

E lá de cima, dentro de nossas mentes e no alto de nossas cabeças, nos provocam e nos fazem pensar como seria se tivéssemos somente ela.

Nela o amor será sempre uma fonte renovável.

Rafael Cunha

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Análise Sintática

Faltaram as formas complementares.
Do zero ao dez.
Começados em zé.
Terminado em ex.

Faltou a minha soma em dedicação por frases.
A garganta lubrificada para uma oração em um período vazio.
Para descer sem nenhum adjunto distributivo cancerígeno.

Tive alguns objetos em prédios cativos.
Em cada prédio, na frente tinha sim, táxi, para cada sujeito.

No meu núcleo simples composto por algo indeterminado,
de um jeito vocativo, chamo a oração de forma passiva.

Rogai por nós.

Rafael Cunha

Sobrevida

Nasci no meio das folhas verdes de Dezembro.
Morri nas folhas secas de Julho.

Virei a pedra-sabão dos apóstolos,
desci os morros das minas para ir à bacia do prata.
De lá não extrai ouro.
Achei um só metal, um punhal com ferrugem.

Me perdi no meio das covas e das cruzes,
desrespeitei meus avós,
não me apaixonei novamente.

A mulher dos meus versos ficou para trás.
Ela, com sua mala,
partiu no trem para o pacífico sem me avisar.

Levou consigo;
as minhas amoras,
os meus cabelos,
minhas filhas,
a fé e minha alma.

Suspirei nos antigos versos.
Por você dourada.

Rafael Cunha

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Suspiro

Meu último.

Você colhe as amoras para as crianças.
No final da tarde de Sol,
recolhe as roupas do varal.

Coloca as galinhas no galinheiro,
lava a mão de nossas crianças.
Com os cabelos mais belos, preso.
Enxágua as roupas no rio dos meus sonhos.
A correnteza leva todos eles para longe de suas mãos.

Volta para seu lar, em frente a baía cristalina de antes.
Prepara o jantar,
esperando a garoa ir para o outro lado da ilha.

Olha seus cachorros,
de pés no chão, sorri.

E diz que me ama pelo resto dos seus dias.

Rafael Cunha

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Fim

Em mim não cabem muitas pessoas.
Eu sou um retiro.
Guardo todas do primeiro dia,
para no segundo nunca mais lembrar.

No primeiro serei o amigo,
o divertido, apaixonado e único.
Para no outro não ter nem o que falar.

Sou eu e minhas cachorras.
São elas que sentam ao meu lado e late para quem passar.

Rafael Cunha

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Calendário

Vinda do oitavo dia de Abril,
alinhado com o primeiro dia do ano.
O suporte é o vigésimo sétimo dia do mês de carnaval,
multiplicado por dois.
Como debutante no décimo sétimo de Setembro.
Conheci com quatorze primaveras,
Experimentei com dezessete verões.
Desisti com vinte invernos.

Amanhã o ano vai terminar e os dias recomeçarão.
Não deixe que mais dezessete verões acabem,
nem que vinte invernos recomecem.

Portanto, antes do outono.


Rafael Cunha

domingo, 3 de maio de 2009

Mar Ilha

O mar é o meu abraço na sua ilha.
Nela ficam seus amores náufragos.
Nele o mais puro amor rema em direção ao seu cais.
Em você há cachoeiras, flores e um jardim.
Em mim, peixes coloridos e pétalas de corais.
Minhas ondas são meus beijos,
a calmaria é o meu toque.
Te protejo e te faço a mais bela das ilhas.

Rafael Cunha