terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Furacão

Podem falar, podem gritar, podem dizer o que for.
Mas não existe nenhum beijo como o dela,
nenhum cacho ou sorriso.

Por isso, hoje é só ela quem existe na terra do faz de conta.

Rafael Cunha

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Caldeira

Gosto de cabelos presos.
Se fosse um mago, usaria meus feitiços para todas as mulheres usarem, como ela.
De todas as caldeiras ela é a única que quando passa, o vento insiste em ficar com seu vapor.
Deixaria de lado meus poderes, para poder senti-los, somente soltá-los para no meu rosto suar, e depois prendê-los nos meus lábios para deixá-los jamais.

Rafael Cunha

Odila

Nos meus jantares no dia de chuva de encharco,
era ela que sentou ao meu lado.
Na enxurrada do seu rio eu a observava molhada para caso nunca mais vê-la.

Ontem a reencontrei seca.
Linda, com seus colares e as vermelhas calças ao vento,
sapateava seus olhares entre as mesas ainda não servidas.

Quem nos apresentou foi Odila.
A fêmea, como um rio, me jogou junto as margens da sua paixão e me convenceu que nenhum dos meus novos amores lavaria minh'alma como ela.

Rafael Cunha

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Almas

Estava com uma de minhas almas agora do lado de fora, na calçada.
A gêmea e eu tivemos o prazer de observar a chuva chegar junto ao pôr-do-sol das nossas tardes de parceria.
Como um furacão, nos juntou no seu olho para enxergarmos a força de uma amizade.

Rafael Cunha