domingo, 24 de fevereiro de 2013

Rabiscada

Descrevê-la, somente após o lápis apontar.
Com nanquim escorrer a tinta.
Descer a pena em seus ombros,
até suas costas tocar.

Contrastar as cores de suas roupas,
com o bronzeado da sua pele ao mar.

Com carinho as verticais traçar,
as paralelas reforçar,
convergir seus lábios,
e a tinta secar.

Sangrar os traços,
ensurdecer os laços
e mais um desenho formar.


Rafael Cunha

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Menina

Resolvi ser pai de uma menina.
Não quero tê-la como ser meu,
só quero que me tenha como pai.

Ensinar-lhe a nadar,
a brincar,
a cantar,
a brindar, um dia, talvez.

Quero ser o pai de uma menina.
Levá-la ao remanso,
a fugir dos gansos,
e a contar um conto.

Quero ser o velho de uma mulher.
Levá-la ao altar de uma colina,
oferecer suas mãos diante de Deus.

Chorar um tanto,
secar um manto,
soluçar num canto,
e apenas lembrar, de um dia, talvez.

Quero, no fim, me recordar de uma menina.



Rafael Cunha

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Encontro

Dias atrás saboreamos os vinhos brancos,
para depois nos deliciarmos nas sobremesas crocantes.
Nossos jantares não atraem, saciam a fome da solidão.

Dois dias atrás nos desencontramos aos tantos,
para depois bloquearmos nossos encontros chocantes.
Nossas palavras não seduzem, preenchem a saudade da atenção.

Estou triste por significar tão pouco pra você sem acalanto,
depois se arrepender dos cantos,
e me deixar aos prantos.


Rafael Cunha