quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Durma Bem

Busquei em cada sorriso, você.
Me estiquei para cada olhar, te ver.
Escrevi de cada singular, um plural.
Cada passo foi para descobri-la.

Enquanto eu caminhava você, dormia.
Um sono no qual nele, eu não existia.
Vou sentir saudade do nariz mais belo,
dos seus óculos listrados,
do seu perfil suave.

Vou deixá-la dormir seu sonho,
para quando um dia acordar,
estar descansada de outros.
E eu, com o café da manhã em seu colo, morena.



Rafael Cunha

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Boa Noite

Esperar por um desejo de boa noite,
é como esperar que as estrelas se apaguem,
é esperar suas cadências em uma parte.

Esperar pelo seu desejo de boa noite,
esfria o espírito quente de um amor,
o envolve das cores mais cinzas,
como a espera da tempestade.

Não ter o seu desejo em uma qualquer noite,
é como o não respirar de uma vida nascente,
é ter o não suspiro, de uma mãe contente.
É descobrir nunca ter existido para você, poente.

Minha estrela que põe-se nas montanhas de outroras,
não me deixe sem seus desejos,
sem a coberta dos seus afegos,
ou o toque dos seus selos.

Um beijo.





Rafael Cunha

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Último Recado

Não quero que se esqueça de como te tratei.
Como a desejei um dia após ao outro na sua companhia.
Não sou ninguém desta vastidão para lhe fazer compreender o meu amor.
Sou um estranho, que somente suspira tua presença.

Meu espetáculo chegou ao fim,
as cortinas se fecharam,
desfaço a maquiagem,
e ouço os últimos aplausos com as luzes apagadas.

Não consigo ainda perceber o tamanho de tudo,
mas quero lembrá-la que foi inesquecível,
cada palavra,
cada sorriso,
e os dois beijos apaixonados.


Rafael Cunha

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Campo

Hoje queria nunca ter escrito uma palavra de amor,
não ter dado uma flor sequer,
nunca ter me aventurado em um desconhecido.

Hoje a noite cai, a neblina baixa para um palmo enxergar, o seu.
Erro de um homem ao tentar atravessar o descampado sem uma mão segurar.



Rafael Cunha

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tal

Quando quis te conhecer, nada era normal.
Haviam sentimentos atravessados e tal.

Assim, que eu te conheci,
vi que era natural,
deixar um amor de lado, banal.

Hoje já te conheci,
e tenho que aceitar,
um amor sincero, talvez, brotar.

Pode não ser realidade,
Poderá ser somente uma vontade.
Mas deixe um infinito de amor, sonhar.



Rafael Cunha



domingo, 30 de setembro de 2012

Com Ela

Sentado, pensando ao sabor do mate, ela aparece.
Rosa, com óculos, linda.
Conversamos sobre as estrelas sob o luar de quinta-feira.

Dado a hora as portas se fecharam,
corremos pelas escadarias de emergência,
para encontrarmos uma saída.
Sem respostas, tomamos o rumo do incerto.

Dentre as quatro portas,
nos beijamos,
levemente,
com a calma de um desejo.

Hoje me resta a saudade de mais um beijo.





Rafael Cunha

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Vitamina

Queria acordar depois de um sono grudados,
despertar com você ainda dormindo e preparar nossa mistura.

Usar a sedução de um morango, o perfume de uma maçã,
a doçura de um melão, a força das bananas, a polpa de uma pêra,
e a fonte de um leite.

Liquidificá-los em uma poção de amor,
gotas de carinho, pra você morena.
Te curar do mal,
te fazer o bem e te amar para todo o sempre.




Rafael Cunha

Trilha

Te seguirei pela trilha de suas forças,
para te segurar em um escorregão qualquer.
Levarei a mochila das nossas coragens,
e te alimentarei com todo meu amor.

Construirei ao entardecer nossa cama,
para o frio dissipar, e o calor chegar em nossos corpos.

Acordarei para pescar os peixes dos nossos almoços,
e você continuar a dormir seu sono profundo.

Lavaremos nossos rostos na gelada água do riacho,
mesmo que o acampamento seja no quintal de nossa casa,
a aventura de estar ao seu lado cria uma ligação forte aos corações.




Rafael Cunha




domingo, 16 de setembro de 2012

Hoje Não

Hoje não sei oque escrever,
estou triste por ter sentido amor por você.
Triste em te esperar a cada minuto depois do último encontro,
e não te ver, não te sentir.

Hoje não quero escrever,
estou cansado por ter esperado você.
Cansado em me imaginar ao seu lado,
sorrindo nos seus lábios, dançando devagar com você.

Hoje não vou escrever,
estou sozinho por um dia ter encontrado você.
Sozinho e acompanhado da minha saudade,
da sua face, dos meus encantos pela sua voz.

Hoje não posso escrever,
se puder anote estas palavras ditas.
Anote oque puder, oque quiser,
depois leia-me como um conto de fadas.




Rafael Cunha

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Favela

Estou morrendo.
Passo por passo, desço o morro em direção a morte.
Todos meus amores deixados em vielas por onde passo.
Morro de amor.

Das escadarias, os degraus uniformes das mentiras ditas à mim.
Do corrimão nasce o desejo em um toque.
Cada fio remendado, liga a minha mente e todos meus amores, lá em cima.
Desço o morro.

Na entrada da favela estou despido pela minha moral.
Fui alvejado por um amor perdido.
Agora, sucumbo a dor das antigas,
para reamar outra em uma nova vida.



Rafael Cunha

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ter novamente



Isso quando você me procurar.
Tentei dizer adeus.
Queria poder beijá-la, e dizer o quanto eu a amava.
Pudesse eu te deixar tranqüila com meu amor.

Me lembro de todos os momentos, eu e você juntos.
Todos eles em cada toque, a saudade.
Penso em você todos os dias da minha vida.
A cada instante penso em nós.

Queria ter te apagado.
Achar um erro e apagá-la de uma vez.
Não erraste, eu quem errou.

Não respiro sem seu carinho,
não consigo ser livre,
me sinto ligado a você.
Como um quebra-cabeça por fazer,
me falta uma peça, você.

Volte.
Te quero hoje. Sempre.




Rafael Cunha

Marquesa

Vou escrever um verso esta noite.
Ele não será de amor, pois no amor não existe a saudade.
Começarei a escrevê-lo com tinha azul piscina,
terminarei com canetas laranja de brasas.

Ensaio escrever as palavras em uma cartilha,
para você, Marquesa, pronunciar sem gaguejos por o chorarmos nós.

Cento e quatorze horas em um discurso de beijos.
Uma hora e quatorze minutos de vontades.
Onze minutos e quatro segundos de você, comigo.
Apaixonadamente em mim, princesa.
O ontem, te quero hoje.



 Rafael Cunha




sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Manjericão

Nasceu da vontade em estarmos juntos,
presos a quatro portas no escuro de uma garagem.
Desabrochou, levada ao lado de fora, flor.
Suas raízes envolve meu coração,
seus caules sustentam as folhas temperadas,
para mim, alma.

Te quero misturada aos meus amargos, doces,
na cozinha de minha casa,
nos lençóis,
nos meus perfumes,
nas salas e fontes d´água.
Embebedar-me com seu mel,
e me fazer apaixonar além de nossas vidas.




Rafael Cunha


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Roberta

Sereia morena das águas claras,
molhado seu beijo em meus lábios,
do ontem me resta a vontade de tudo novamente,
com você princesa do mar.

Janaína perderá seu posto de rainha, ao meu gosto, pra você.
Suas covas, seu cheiro e seu sorriso, para mim dourada.
Entre os bancos meus encantos a cada toque de nossas mãos.

Não me deixe ir, quebre suas ondas em meu rosto,
me refresque com seu carinho, amada.
Massageie meus ombros cansados a sua busca.
Te quero comigo pra sempre nos meus braços.
Aos nossos laços.



Rafael Cunha






domingo, 26 de agosto de 2012

Flores

Prefiro sementes ao invés de flores.
Arrancar uma flor é abortar um ser vivo,
deixar que ela não se insemine com o pólen de outras,
é arrancar a chance da vida abruptamente.

Não quero e nunca lhe darei flores,
prefiro meus versos para seu encanto, girassol.



Rafael Cunha

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Morena Lisa

Chegou sem avisar,
apareceu para nadar.
Na época, me encantei pela sua doçura.
Hoje, me agarro a sua beleza, mulher.

A probabilidade de nada acontecer é alta,
mas a vontade de que aconteça é muita.
Seus cabelos lisos ao pé do ouvido,
sua boca ao meu encontro, dúvida.
Com um abraço tímido, seu cheiro,
satisfaz a vontade em tê-la para minha vida inteira.

Morena escorrega por entre meus dedos,
não quero te perder por mais um dia, lisa.



Rafael Cunha


sábado, 11 de agosto de 2012

Bruna

Queria que não fosse uma,
de tão longe seria pra mim, algo.
Derrotado pelo amor, a conheci, pluma.

Na queda do alto de uma árvore,
entre os meios das penas esmigalhadas por um gato, Bruna.
Sua queda como pluma, acompanha o sopro do vento,
entre as sombras das folhas,
rebatida entre os galhos e abraços de outros,
Cadência de suas vestes sopradas para a clareira.
Encosta em meus lábios, você, Bruna.

Só assim despertas o eu, nesta selva em galhos meu amor, pluma.



Rafael Cunha

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Um

Enquanto houver uma lembrança,
haverá uma esperança.
Enquanto houver uma saudade,
haverá uma vontade.

Quando somente uma pessoa lhe vê,
ainda há tempo de conquistar, um amor.
Enquanto você a ignora ela triste fica com seu próprio apavoro,
assim se desmancha em lágrimas por você.

Ainda, somente hoje, te amo para o resto das minhas lembranças, única.




Rafael Cunha

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Reflexo

Numa roda de samba dancei,
com seu reflexo sorri.
Dançamos juntos com as cochas entrelaçadas,
para depois às colchas chegar.

Das cuícas gritavam nossos desejos,
dos pandeiros os chacoalhos dos nossos beijos,
do violão o baixo, ao marcar o compasso da solidão, sem você.


Rafael Cunha


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Agosto

À gosto de um sabor,
com gosto de você.

Sentir o calafrio de um beijo quente,
ouvir as palavras que não queres me dizer.

Gosto assim, espontâneo como Agosto.
Que nele a raiva de um cão louco de amor,
atormenta as noites de espanto de um vizinho sem gosto de paixão.

Gosto do Agosto de hoje,
do antigo não me lembro mais.
À gosto de um novo amor,
francesa no meu menu de sabores ao meu gosto é você.



Rafael Cunha

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vó Bárbara

Por todas as estradas que percorreu, quero eu poder passar.
Por todos amores que amou, um dia quero amar.
Diante de toda a saudade que me deixa, um dia quero deixar.
Minha avó de pele mais linda, preta, sem negar.

Nos seus últimos cantarolava um repente tico-tico-tá.
Dos montes de Minas Gerais, ecoa sua vontade de viver,
nos abismos de pedra a me esperar.

Que os anjos lhe cuidem,
que suas cachaças e torresmos nos mantenham alegres e saciados.
Saudade de você minha nêga de cabelo ruim mais maravilhosos já vistos.


Rafael Cunha

sábado, 21 de julho de 2012

Bairro

Bom mesmo é não conhecer o mundo, mas os bairros ao redor.
Do mundo que se conhece, é como se conhecesse ao outro e não a si mesmo.
Sendo seu corpo preenchido pela outra verdade que aqui não cabes.
Assim não julgues.
Pois aqui somos diferentes, mais um de uma cadeia de infinitas formas de amor.


Rafael Cunha

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Buscar

Hoje acordei para buscar o Sol para a sua manhã esquentar,
o busquei ainda para seu dia alegrar,
sem guarda-chuvas pequenos e assim não se molhar.

Colhi o cacau para seu chocolate ferver,
tomarmos em uma noite fria na semana sem fim.

Tento fazer de tudo para que um bom dia me dê,
e me felicitar a saudade que sinto por você.



Rafael Cunha

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Frio

O frio que sinto agora não se compara ao frio que tive na primeira vez em que lhe vi.
O de agora, não corta meus ossos em um vendaval, nem sequer congela meu coração em uma parada gélida.
Suas garoas não encharcam meus olhos de lágrimas na alegria em ver um ser dotado da formosura de tamanha grandiosidade como a sua.

O de antes, me sufocou,
parou meus órgãos para vê-la dançar e sorrir,
todo o meu sistema nervoso entrou em colapso.
Neste dia o frio congelou minhas mãos trêmulas,
minhas pernas bambas para no samba, sambar.
Já quando no forró, entrei em estado de choque,
paralisado.
Lá fora chorando,
sem você, com minha dor, dancei até o dia clarear.


Rafael Cunha

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Rochedo

Foges da rima do meu rochedo,
entrelaça suas asas a volta do farol.
Para se entristecer pelas quedas de minhas pedras.
Meus muros são de calcário, enfraquecidos pelo tempo.
Não suportam mais o ninho da sua cria.

Voa-te alma minha,
dance pelos ventos quentes que te levam às alturas.
Passe ao cisco de uma ponta minha,
e os piscos tome-os em goladas.

Atormentada siga no seu vôo confuso,
na notória tormenta do mar revolto em mim, pedras fracas.
Ache outro abismo para amar seu canto,
e aos prantos ficarei em minha quebras e quedas de cada pedaço de mim partir.

Não quero que me vejas assim,
Quebrando dos poucos ao fim.



Rafael Cunha

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Caçada

As minhas vontades calam-se em havê-la perdido,
a nova paixão guia-me na escuridão da minha cegueira.
A vida de um poeta me enfurece em compará-lo,
escrevo o que sinto, não escrevo o que queres, é o que me resta.

Não sou poeta, sou um contador de histórias em versos fantásticos,
Meus versos são minhas bengalas na escuridão junto a paixão da inglesa Katarina.

- Quem sou então?

Sou o movimento dos sentimentos como a manada enfurecida pela fome de um leão.
O sapateado de cascos em terras empoeiradas para depois derrubado a paixão da minha carne devorada por um filhote, eu sou um morto, meus restos é o amor, pra você eternidade.


Rafael Cunha




Rafael

Não adianta me procurar para o efeito do amar se cumprir.
Me desculpe se a minha admiração pelos seus poemas lhe entrega a esperança.
Estou apaixonada, e não é por você, meu antigo amor.
Me renovei, me contentei com seus xingamentos em públlico pela minha perda, engracei-me com outros para seu esquecimento.
O leio sempre mas com olhos de não apaixonada, mas com olhos de quem procura uma paixão, e este não é você.

Você me trás a felicidade como algo inexistente em matéria, e não mais como homem a quem amei, com meus olhos, meus cabelos, meus cremes e meu perfume. Hoje você não é nada mais que alguém que escreve palavras que qualquer um outro poderia escrever, mesmo não sendo você o autor.

Não gosto de você, não quero mais ficar com você, ou olhar pra você, só quero que escrevas para meu sentimento de amor explodir em outros corações.

Te amei, mas nunca mais vou te amar, Rafael.


Rafael Cunha

terça-feira, 10 de julho de 2012

De Vida

Devido a traição do corpo,
a alma se rompe,
se rasga.

Vindo de uma pessoa que amas,
a alma se foge,
se lasca.

De vida prometida ao amor,
se mente.

Prostitua-se a qualquer vontade,
da vida prometida se resta a falta,
a vontade,
o amor.


Rafael Cunha

sexta-feira, 6 de julho de 2012

For

Se tudo fosse verdade,
juntos, agora, estaríamos sob o luar.
Forte, preenchidos de amor, querida.

Se fosse verdade, tudo assim, seria.
Meus braços quebrados em um nó de abraço.

 Verdade, assim seria se tudo fosse.
 Nos laços dos meus beijos em um toque.

Rafael Cunha

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Luanda

Ontem estive em Luanda.
Caminhei entre suas ruas floridas de sonho,
mergulhei entre as águas límpidas dos copos gelados servidos.
Cavalheiros jogavam damas
ao encontro e desencontro dos seus corpos.

Suado os seus para eu também o dela jogar,
me convenci que nossos continentes se juntam com um beijo.
As ruas se curvam, os caminhos se encurtam,
com você,
Luanda.


Rafael Cunha


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Amado

Estou com saudades de ser o mais amado.
Mas hoje, somente, tudo dá errado.
Tenho vontade de sacudir tua opção.
Quero que veja, o quanto te amo então.

Odeio fazer, versos com rima,
mas o que escrevo vem tudo lá de cima,
meu coração, não tem mais espaço,
escrevo com a cabeça e pensando em nossos laços.

Amor me odeie, se tiver disposta,
quero que aprenda que não há resposta,
para um amor sacrificado por bandidos.
Você me ama até sem ter motivo.

Se tua coragem fosse o menestrel,
comigo estaria, junto aqui no céu.
Venha que eu estou de camisa abotoada,
meu coração só rolando a escada.
Me socorre sempre minha querida,
venha ser o amor da minha vida.

Amor me odeie, se tiver disposta,
quero que aprenda que não há resposta,
pro amor.



 Rafael Cunha

terça-feira, 26 de junho de 2012

Manhã

Não sabes a sorte que tens.
Acordá-la preguiçosa durante todas as manhãs,
dar-lhe um beijo discreto e receber um bom dia apaixonante.
Deixar que ela durma seus cinco minutos merecidos enquanto preparas o pão e o leite, quente.

Sorte a tua, desconhecido.
Que brinca com a barriga da mais bela, fingindo ali ter uma filha, Olívia.
Ela ri, enquanto eu, caio a chorar, por não ser eu, o ser desta felicidade.
Acordá-la pela segunda vez com as xícaras em mãos,
durante seu preparo matinal de beleza,
cabelos molhados,
jalecos engomados,
tens a sorte de tê-la bela.
Saboreia todo o leite que preparas. Sacia-se.

És uma pessoa de sorte.
Despedir-se com suas calças mais brochantes,
ainda assim fazer com que ela pense em você durante todo o dia.


Rafael Cunha

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Desastre


Os desafetos e os romances se acabaram em uma discussão rebaixada.
Acabou-se qualquer chance de volta ou pensamentos em um sonho.
Melancolia paira no frio de hoje.
O teto também é o meu amigo,
o nada, meu companheiro.
Fico triste em tudo se acabar.
Mas talvez tenha sido o melhor que fizemos.
Talvez não tenha sido o melhor.
Talvez.

Desde ontem seguirei.
Vou sentir saudades.
De você.
Preta.



Rafael Cunha

sábado, 23 de junho de 2012

Madrugada

Antes, quando juntos, éramos anjos.
Agora, quando juntos, somos monstros.

Ontem éramos amáveis,
fluíamos como a dança do sereno.
Hoje somos a tempestade de ofenças e tristezas.

Isso é a falta de respeito encarnada em uma traição.
A quebra de um vaso de amor jamais em conserto.
Cascos espalhados no chão com destino ao ralo dos nossos corações.


Rafael Cunha

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Visita

Hoje é um dia de garoa.
Hoje é um dia de visita.
Esteve sob meus olhos o sorriso de covas,
o quadrado de um rosto desenhado,
com idéias perfeitas, não caberia em uma moldura.
Por isso quem me visitou foi uma rainha e não uma princesa.

Por conta das suas lendas e suas vontades,
era uma mulher de verdade,
disfarçada sob seus óculos e lenços brancos de bolas que me encantaram.

Porém para cada rainha existe um rei,
e nesta história eu quem sou o plebeu.
Aquele que um dia sequer a tocará de um jeito qualquer.



Rafael Cunha

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nadar

Adolescente eu me apaixonava por ela,
nas aulas nadávamos lado a lado,
e a cada respiração a via com meus óculos embassados.
Linda.

No descanso ela falava. Gosto de quando fala.
mesmo quando somente, hoje, responde.
Você preenche meus cantos vazios,
e me toma por inteiro como uma piscina de encharque.

Seus encantos superam minhas memórias,
eles cantam aos meus ouvidos
a doçura de um amor não compreendido.

Seu retorno é o meu trampolim,
é a piscina aquecida para o meu descanso.
A vontade de tê-la ao meu lado é o fôlego
que preciso para esperá-la até uma próxima estação.


Rafael Cunha



Peixe

Se eu fosse um peixe nadaria até a espia,
pernadava até a boca, chegar a casa e ao ensacador nele esperar.

Se eu fosse um peixe isso eu faria,
para um caiçara entre as três visitas me encontrar.
Me retirar sem fôlego,
escurecer minha visão,
para ele minha vida doar.

Encher suas canoas de outros eus,
ele sujar-se com minhas escamas,
navegar nos mares ao norte do seu sudeste em paz.

Voltar para casa feliz,
aportar seu flutuante nas lindas e esperadas marinas,
para com meu cheiro uma boa noite a sua filha lhe dar.


Rafael Cunha


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Oz

Minhas tentavivas são inúmeras.
São palavras, são pensamentos para tentar uma sintonia.
E de nada funciona.

Pensei que fosse a força do querer eterno atingindo o limiar da frustração.
Mas tem dias que quero menos, assim mesmo sem respostas.
Me deixa triste o silêncio, as poucas palavras, desmotiva.
Penso hoje que este é o objetivo, não haver motivo para mais amor.

Fico triste em deixar que tudo passe como uma tempestade de Oz.
A cada dia preciso disfarçar minha covardia como um leão.
Penso sem foco como um espantalho sem cérebro.
Sou um Homem de Lata a procura todos os dias o meu coração perdido em uma terra de fantasia.



Rafael Cunha

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rodoviária

Estou de partida.
Indo para longe do nosso canto de amor,
passagem na mão para nunca mais voltar,
onde um dia o melhor abraço recebi, na chegada em uma rodoviária.

Vendi o fusquinha querido por nada,
doei todos meu móveis, inclusive a cama em que nos amávamos,
Nosso apartamento vazio devolvido,
dei todas minhas coisas para talvez um recomeço sem lembranças.

Era tudo que eu queria,
não voltar mais onde um dia fui feliz.
Porém da minha felicidade sobrou uma muda,
para o recomeço em outra cidade que tanto amo.


Rafael Cunha (na rodoviária de Botucatu-SP destino São Paulo-SP)


domingo, 17 de junho de 2012

Jantar

Abraçado por um boa noite da mulher dos mais belos olhos já vistos, dormi.
Antes acordado  preparei o salgado das nossas conversas,
saciados da fome, envinados,
no deliciamos com a sobremesa de um sonho.

Camuflado, a ouvia criticar todos os filmes revistos.
Que bela mulher,
seus olhos me encantavam,
neles se via a alma de uma mulher feliz.

Continuada a saborear uvas fermentadas,
demoramos a nos cansar madrugada a dentro.
A cobri com o manto vermelho,
me despedi com um abraço tímido.

E o que sobrou do jantar,
foram os beijos de uma boca rocheada,
e o cheiro de um nariz perfeito.


Rafael Cunha

sábado, 16 de junho de 2012

Carta Resposta

Desculpe um dia não lhe mostrar o quanto te amo,
Perdoe-me em ter que me casar, não com você, meu amor.
Lamento não poder ser acordada todas as manhãs com um beijo seu.
Me orgulho de um dia ter sido feliz com você em noites e tardes serenas.
Hoje me revolta não ter conseguido ter assumido você.

Queria, você, o homem que brinca com minha filha,
vê-lo pela janela da cozinha saborear o barro no jardim com nossa pequena amada.
Ensiná-la nadar, a correr, acarinhar o rosto da mamãe antes de dormir.

Assumo que fui fraca em não corresponder seu amor,
bato no peito e digo quem foi a culpada por isso, eu triste.
Hoje é o dia do meu casamento, queria que você meu noivo fosse.
Beijar seus lábios carnudos depois de um sim.
Trazer seu cheiro pra minha alma. Aceitá-lo como és.

Rafa queria viver outra vida desta só pra te amar juntos,
te amei separados por causa de uma família, sacrificada.
Ao longe quando formos desencarnados,
me receba de braços abertos,
se eu lá estiver te receberei com meus braços abertos.

Eu te amo, e não posso ficar com você.
Mesmo a tristeza que me consome em não tê-lo por perto.
Peço para minhas borboletas tapadas levá-las ao vento.
Te amarei por mais mil vidas se assim for.


Rafael Cunha

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Saudade

Saudade é quando não se deixa erguer,
é quando sufocado por um travesseiro não se deixa respirar.
Isso é a saudade.

Te faz deitar para não querer levantar,
te faz engolir invés de mastigar,
desatina a angústia em uma carta sequer que nunca chegará.

Saudade é esperar um retorno que nunca virá,
é se desconvidar de um futuro que está a te esperar.
Por isso é saudade.

Não há volta,
sem um toque,
nem um olhar.
Saudade o mata sem existir em carne,
ela quem rasga seu coração,
sem jamais se entregar ao outro que não o ama.


Rafael Cunha


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Querer

Dizem para não amá-la, mas te amo porque te quero.
Amo para sofrer a dor na sua partida.
E dizem para não amá-la.

Ainda mais quando partes sem motivos.
Amo mais por não entender os conflitos.
Desejo seus cabelos lavar,
desejo seus cabelos secar,
desejo você se deitar.

Festejo com sofrimento sua partida,
para pensar em cada momento
em que não vivemos juntos com amor
de um primeiro a saborear.


Rafael Cunha



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Cometa

Queria ser um cometa,
que risca os céus dos mil planetas de amores,
carinha sincero as estrelas por onde passa.

Mil olhos infinitos irão me ver,
sem me tocar, sem a maciez de uma pele qualquer,
seus olhos fixar, eu apaixonado surgir.

Debaixo da palmeira, a brisa com cheiro de vida eterniza no seu abraço.
E eu, cometa, irei apenas passar para um segundo dia, talvez, voltar.


Rafael Cunha

domingo, 3 de junho de 2012

São Paulo

São Paulo se não fosse um santo seria uma cidade,
mesmo sendo cidade e não um santo de nada feliz seria.
São Paulo não namoraria suas morenas de ternos,
ou as pretas de jaleco,
seria triste em poder jamais tocá-las em um sereno,
em saborear seus lábios pequenos, as amarguras de apenas ver passar as pernas de Danielas suas, em uma rua qualquer das suas veias, nunca deliciá-las mesmo que em um tropeço na queda de seus joelhos brancos.
A preta de jaleco, morena, pernas brancas e tão apaixonante que a cidade mesmo como um santo não resiste aos encantos de Daniela.


Rafael Cunha

terça-feira, 29 de maio de 2012

Preta

Espero ainda tocá-la uma única vez,
espero por quanto acorda-la sonolenta de uma noite cansativa.
Enluarar seus olhos para madrugar para o próximo plantão.
Queria ter tido a chance de cultivá-la no meu jardim de inverno.
mas seus frutos dispersaram para outros campos de hortências na primavera.

Hoje eu espero uma noite ou um dia de felicidade ao seu lado,
não quero que me ame, me odeie se isso for a vossa vontade,
mas me odeie com amor, com ódio de querer me amar e não poder.

Me arranque as roupas de dor pelo que um dia sentiu, desgraça-me.
deseja-me o mal, depois que me multilas depois pegue no meu armário
suas roupas dobradas, passadas e perfumadas, já eu terei que ir para o céus.
Mas o meu amor por você será eterno e presente neste mundo sem fim.


Rafael Cunha

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Jardim

Suas borboletas voaram entre os perfumes dos meus lençóis,
As pretas terras revigoraram os meus colchões,
Fora contruido uma vila de amor entre meus travesseiros,
com casas, casarões, jardins e crianças na colheita de amoras doces.

Seu amor depois de passado, transformou-se em um dragão,
dizem alguns que assombra a vila, mas na minha versão,
é ele o protetor do amor que ali incide e não seja dispersado por outras ventanias.
Apenas sua chama recai como amor desta vila de quatro cantos.

Rafael Cunha

Amores

Amor é assim, ou ele vem ou ele vai, se vem, vem de algum lugar e se vai, irá para algum outro lugar. Matematicamente estes dois amores se tornarão encontrados, isso é certo, um dia que seja, ele o infinito. Mas a alegria de saber que irão ser vividos novamente, torna a vida mais poderosa.


Rafael Cunha

terça-feira, 22 de maio de 2012

Palhaço

- Escute! Estou nesta vida como espectador, de você palhaço,
não quero que me toques,
quero que faça-me rir e se eu chorar me console, doente.
Faça que todos riam da nossa presença,
mas deixe claro que eu não faço parte de você e você não faz a minha, nos completamos em um instante singular, sem nos tocarmos num abraço sequer.

Rafael Cunha

segunda-feira, 19 de março de 2012

Ida de Gisele

Todas as histórias podem ser fantásticas,
ter todos os personagens,
ter amores,
horrores.
Todas as vezes chegado o fim Gisele nunca é encontrada.

É como se toda história caminhasse para o recomeço, sempre.
Não existe fim, não existe tristeza de um amor eterno,
somente o amor quente para reencontrar Gisele.

Ela nunca aparece, Ida vem sempre antes de Gisele.
Um amor de verdade é sempre o recomeço,
o amor eterno é apenas para os telespectadores sem coração.



Rafael Cunha

Anônimo

Sinto falta das borboletas.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Novamente

Uma casinha,
um gramado com verdes gramas sem podar.
Um dia fresco, com a brisa beira mar.
Nossa filha de pés descalços pelas areias salgadas.
Te dar meu coração.

Assim amá-la pelas manhãs e a tarde nos casar,
Em uma noite de estrelas nos meus braços se deitar.

Pra sempre, em um poço de amor.


Rafael Cunha

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Caverna

Sempre fui apaixonado por você.
Estive sempre cravado em uma montanha de amor,
esperando pelo seu pouso.

Meu dragão amado,
quero o vento de suas asas,
o respiro quente da sua alma.
Serpentear o meu interior,
para depois voar com suas plumas de ouro.

Deslizar minhas paredes sobre suas escamas,
calar-te os sussurros,
te esquentar em uma tarde.

Continuo cravado em uma montanha de amor,
te esperando chegar.
Sem anéis, sem respostas, sem motivos,
apenas eu, esperando você e nossos amores para a caixa fechar.




Rafael Cunha




segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pela Tarde

Quando pra você se torna fácil,
Enquanto pra mim se torna tarde.
Com a tarde o pôr do Sol,
nossas cores de um dia após a tempestade, juntos.

A preta que sorri para a minha liberdade,
com a filha da minha alma,
eu e você,
a sós.

Te quero, ainda.
Comigo, na tarde.
Quando, não sei.

Meu amor.


Rafael Cunha

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Virada

Em uma ilha com a amada, o mar, a chuva e um novo amor pra recomeçar.

Rafael Cunha

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ella

São somente os lençóis que me abraçam sem nunca me tocarem.


Rafael Cunha

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Soma

Quantas chances você teve para ser feliz?
Quantos amores você deixou para que estes sejam felizes?
Quais os números de amores errados que trairam a sua confiança para que você seja feliz?
Qual é o amor que só amarás sob nenhuma condição?
Todos, pois os amores sempre se desencontram por falsas felicidades.


Rafael Cunha

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Amor

O que faria por amor.
Namoraria em um banco de praça em um interior qualquer.
Caminharia nas caminhadas mas exaustivas para suas minhas carícias.
Vestiria minha camisa branca mais engomada para sua delícia.
Fritaria os ovos,
esquentaria os leites ou serveria os gelados, com chocolates.
Uma fatia pra você e duas pra mim.
Amaria você todos os dias, perto.
Voltaria ser seu preto e você a preta dos meus olhos.
Ao longe te esqueceria,
meus cafés da manhã seriam solitários,
minhas noites seriam frias e meus banhos mal tomados.
Queria que ficasse para meu amor não esquecer do quanto somos apaixonados e felizes.
Mas não há mais tempo.
Ele se vai numa próxima chuva deste verão para o encharco do esquecimento.

Rafael Cunha




Rafael Cunha

Gêmea

Quanto mais se ama, menos amor se tem.
Com ela é diferente,
Enfrenta os vulcões de Pompéia, resgata o amor de Abante.
Chora as decepções e se levanta apaixonada.
Imagino que ela seja de Acácia, a reencarnação imortal de um amor sem chances para o fim.
Admiro a coragem, a força por todo o pouco que fez por um único amor.
Corajosa, suas lágrimas são poções mágicas por nunca existirem.
Vida longa a Rainha grega e ao Rei


Rafael Cunha

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ir Embora

Decidido, foste embora.
Fora pra longe, com o motivo que faltava para a coragem em me largar.
Não há mais desculpas ou dúvidas. Tens a certeza que comigo não vale a pena.
Eu estou bem, já esperava a desculpa de um menina que não sabe onde pisa.
Já esperei o suficiente, esperei até o limite para todas decisões tomar que não seja sua própria vontade.
A sociedade venceu, e o meu amor é mínimo para o quanto acham que o correto é magnífico em uma entidade qualquer. Felicidade não é o que somos, mas o que enxergam em nosso exteriores.



Rafael Cunha